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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Florianópolis/SC - parte final

O dia anterior foi meio frustrante, mas nada como outro passeio programado para esquecer o que passou. Desta vez escolhemos a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim ou, se preferir, simplesmente Fortaleza de Anhatomirim, localizada em uma ilha homônima, na cidade de Governador Celso Ramos.
A Fortaleza foi sede do primeiro governo de Santa Catarina, principal fortificação do antigo sistema defensivo da Ilha de Santa Catarina. Este sistema era composto pelas Fortalezas de São José da Ponta Grossa e Santo Antônio de Ratones. Em 1938, Anhatomirim foi tombada pelo Iphan e hoje a manutenção e guarda está sob a responsabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina. Anhatomirim é um dos principais pontos turísticos da Ilha, mesmo pertencendo à outra cidade.
 
(Novo Paiol de Pólvora - construído no séc. XIX, já que o anterior foi considerável vulnerável)
  
(Quartel da tropa - hoje em dia há uma exposição sobre baleias)
 
(Esse pavimento é formado por uma sequência de quartos, onde os soldados dormiam todos juntos)
 
(Vista privilegiada do quarto dos soldados)
 
Escunas fazem os passeios marítimos na região, há três pontos de partida: próximo à ponte Hercílio Luz; no Trapiche da Avenida Beira-Mar (ambos no Centro) e na Praia de Canasvieiras. Ligamos para a empresa para sairmos com a escuna do centro, mas não havia vaga, então a empresa nos alocou para sairmos de Canasvieiras.

O visual do passeio é bacana, mas para isso você tem que abstrair tudo de ruim que a empresa oferece, vou relatar os que me incomodaram: os piratas falando com os turistas em “portuñol”; tentando a todo custo beijos das mulheres desacompanhadas; o guia fumante – na embarcação e quando nos contava a história da Fortaleza, no passeio; o péssimo gosto musical: funk, axé e sertanejo universitário, isso tudo em som amplificado. Depois da Fortaleza, fizemos uma parada de 1 hora para almoço do tipo que se come à vontade - a comida não é grandes coisas, mas deu para comer muito mexilhão e ostra ao bafo.
Já de barriga cheia, pensei que a volta seria mais tranquila, sem som alto – quer dizer o problema não foi o volume e sim o que estava tocando -, mas, não foi, tudo que rolou na ida, aconteceu na volta e ainda tinha mais uma parada para banho na Ilha do Francês. Ficamos uns quarenta minutos ancorados lá, como não sei nadar preferi ficar no barco fazendo a digestão.
(Ilha do francês)
 
(O guia falou que, no momento, a ilha está sob concessão da família do(s) dono(s) do jornal argentino Clarín)

Eram umas 16h e já estávamos de volta, resolvemos caminhar de Canasvieiras a Jurerê Internacional - isso dá uns 7,5 km ou se preferir 1h30min de caminhada pela estrada e praias, ficamos até o pôr-do-sol. Quando chegamos a Jurerê ainda fomos premiados com a aparição de meia duzia de botos.
(Jurerê Tradicional) 
(Jurerê Internacional)

Com o fim da estada em Florianópolis se aproximando, decidimos fazer programas mais leves nos últimos dias, fizemos trilha na praia do Forte, paramos na praia Daniela e retornamos à praia do Forte, onde fica a Fortaleza de São José da Ponta Grossa e almoçamos no restaurante do Bill, em Jurerê Internacional. Tudo programado por Wlamir e Lissandra.
 
 
A trilha é bem simples, só no início que tem uma subida íngreme, o resto é tranquilo, não precisa nem de tênis para fazê-la, se tiver, melhor, mas eu fiz de chinelo. Ficamos o dia inteiro curtindo o visual, a comida, a praia e pegando um bronzeado. Fim de tarde, fomos para casa do Wlamir, tomamos cafezinho e acabamos ficando para o jantar.
(Subida básica) 
(Depois fica bem tranquila) 
(E o melhor, não tem cobras) 
 
(Jurerê vista do alto)

Nosso último dia também foi muito bacana, pela primeira vez acordamos sem pressa, partimos para feira da Lagoa da Conceição, demos uma volta bem rápida (não precisa de muito tempo para conhecê-la, ela é pequena mesmo). Paramos para ver um pouco de Taiko, apresentado pela comunidade Nippo de Florianópolis.
Em seguida rumamos para Costa da Lagoa, onde fomos comemorar o aniversário da Eiko no restaurante Cabral juntamente com os nossos amigos.
No Cabral uma boa pedida é o peixe Carapeva, em filés grelhados, fica uma delícia.
(Bom estar entre amigos)


Só que desta vez não fomos pela Lagoa da Conceição, Wlamir nos levou até o Terminal Lacustre Parque Florestal Rio Vermelho, Cooperativa de Barqueiros Coopercosta - (48) 9104-8955. Partindo deste terminal, a travessia dura 10 minutos apenas. Importante ficar atento aos horários de volta das embarcações, já que no terminal do Rio Vermelho as atividades se encerram mais cedo.
(As embarcações param nos diversos trapiches da Costa, basta falar qual restaurante para descer no lugar correto)
(Se quiser ficar até o final da tarde, melhor ir com seu próprio meio de transporte)

Após nos deliciarmos no almoço fomos conhecer a cachoeira da Costa da Lagoa
e na volta ainda demos uma passadinha na praia Mole, mas o tempo e o horário não estavam convidativos a entrar na água. Foi só para tirar uma foto de recordação.
 
(Sempre bom pegar exemplo com os mais experientes, neste caso, o de aposentadoria tranquila)

De noite compramos um bolinho para o aniversário não passar sem o principal. E assim foi o último dia, como todos os outros de nossas vidas, recompensador.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Florianópolis/SC - parte 2

Para leitura não ficar muito cansativa, resolvi postar Florianópolis em três partes. A segunda começa aqui embaixo:

Certo dia de manhã acordamos dispostos a conhecer a praia de Lagoinha do Leste, que por ser de difícil acesso ainda é pouco visitada. Pode-se chegar à praia, somente por trilha, a partir de dois pontos: o primeiro, para quem sai de Pântano do Sul, gasta-se aproximadamente uma hora ou a partir do segundo, que começa na praia de Matadeiro, mais longa (dura em torno de 2h30min), mas durante o percurso há vistas maravilhosas das praias do Morro da Pedra, do Campeche, da Joaquina e até das pontes que ligam a ilha ao continente. Escolhemos a segunda opção.
(Eles sabem viver pacificamente...) 
(... e em harmonia) 
(Em direção à praia Matadeiro)

Compramos água, lanche, estávamos com calçados adequados, repelente e muita disposição, só não contávamos com um empecilho: uma jararaca. Já estávamos na mata totalmente fechada e com uma hora de trilha quando Eiko quase pisou na cobra. Sorte a nossa que a cobra estava tomando seu banho de sol e não estava nem um pouco a fim de dar uma abocanhada em alguém, recuamos e ela se escondeu por entre pedras e vegetação. Como não era qualquer cobra resolvemos voltar, mesmo com uma pontinha de frustração por chegar tão perto e não conhecer a praia e as paisagens.
(Parte da trilha)
(A que vimos era dessa aí - foto infoescola)
 

Retomamos à praia do Matadeiro, ficamos um tempo e depois pegamos o ônibus para Lagoa da Conceição.
(Quase deserta) 
(Quase)

Lagoa da Conceição fica a 20 km do centro da cidade, reúne praias, dunas, montanhas, e é a maior lagoa de Florianópolis, além de ter diversas localidades como o centro, também conhecido como “centrinho”, o Canto da Lagoa (na Lagoa de Dentro), a Barra da Lagoa (onde termina o canal que deságua no mar), a Costa da Lagoa.

O bairro conta com bares, restaurantes, cafés, padarias e a vida noturna é intensa. No domingo à tarde tem feira de artesanato, mas não crie muitas expectativas em relação à feira, pois ela é pequena e não há muita coisa diferente.

Diante de tantas opções fizemos o passeio de barco pela Costa da Lagoa, na verdade não se trata de passeio, o barco é o meio de transporte dos moradores da Costa, mas como para turista tudo é diferente, fomos. Em, aproximadamente, uma hora de travessia se chega ao destino, na Costa há uma variedade de restaurante. Foi bom para escolhermos onde comeríamos no domingo. Fizemos o reconhecimento local e logo em seguida pegamos o barco  de volta, paramos no centrinho e tomamos café da tarde na padaria Pró-pão.
(Chegando) 
(Conhecendo a comunidade) 
(Entrando aqui, é só escolher um restaurante) 
(Seguindo em frente, tem-se acesso à cachoeira) 


Em breve publico a parte final.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Florianópolis/SC - parte 1

Tínhamos programado passar as nossas férias em Santa Catarina, o roteiro seria Florianópolis; Imbituba; Garopaba e fechando com Bombinhas, mas São Pedro não concordou. Ficamos uma semana na capital e rumamos para Imbituba, lá chegando pegamos dois dias de chuva, estávamos presos no hotel. No primeiro dia até dá para usufruir as piscinas aquecidas, hidromassagem, sauna, salão de jogos... Mas a partir do segundo já fica entediante, então decidi entrar no site do climatempo e ver se o sol apareceria, como a previsão foi de chuva para mais três dias, inclusive em Garopaba e Bombinhas, então resolvi ir para onde teria sol: nordeste, claro! – escolhemos uma cidade que não conhecíamos ainda – Maceió, foi lá que passamos o restante das férias, aproveitamos até o último dia, literalmente. Elas terminaram em uma quarta-feira, chegamos aqui já passava da zero hora de quinta-feira; foi só o tempo de dormir e levantar para trabalhar. Férias para gente não é para recarregar as baterias, é, sim, para terminar de descarregá-las.

Por ora ficaremos na postagem sobre Florianópolis.

Ficamos hospedados na casa da amiga da Eiko, agora minha também, Lissandra. Mesmo tendo anotado todas as dicas é bem melhor passear e pegar mais dicas com quem mora na cidade, não é mesmo? Então abusamos da boa vontade da Lissandra e de seu namorado Wlamir.

A ilha é muito agradável e lembra o Rio de Janeiro; porém, mais organizado, limpo e com menos violência, mas com povo menos descontraído.

Se a ideia for explorar a ilha é legal ficar no centro, que conta com vários hoteis com preços para todos os bolsos, rodoviária, terminal de integração* (caso prefira se locomover de ônibus) e a orla para dar uma boa caminhada e comer à noite – na rua de trás da orla, a Bocaiúva, tem bons lugares gastronômicos.

* os terminais de integração estão espalhados pela ilha facilitando a locomoção para os turistas que querem fazer tudo de ônibus, é muito fácil se locomover em Florianópolis, inclusive estrangeiros, vi bastante gringo andando de ônibus. Todos os terminais começam com TI + nome do bairro. Exemplo: TICEN - Terminal de Integração do Centro; TICAN - Terminal de Integração de Canasvieiras; TITRI - Terminal de Integração Trindade; TISAN - Terminal de Integração Santo Antônio de Lisboa; TIRIO - Terminal de Integração Rio Tavares e TILAG - Terminal de Integração Lagoa da Conceição.

Os pontos negativos foram o trânsito extremamente caótico, principalmente porque estão duplicando as estradas, e os serviços: ora demoram a atender, ora anotam o seu pedido e trazem algo totalmente diferente, ora esquecem, sem contar que as cozinhas encerram as atividades muito cedo. Também é comum mercado e padaria encerrarem o expediente às 20/22h, nada de 24 horas. Até a famosa padaria, Santo Trigo não abre aos domingos. Em Floripa levaram ao pé da letra que “domingo é dia de descanso, programa Silvio Santos...”

Pois bem, logo que chegamos fomos fazer o reconhecimento local, passeamos pelo centro, fomos à catedral, passando pelo museu, mas neste não entramos, conhecemos o mercado municipal, tomamos um cafezinho no Central do Café, que fica na Rua Vidal Ramos e fomos caminhar na Avenida Beira-Mar finalizando o passeio no quiosque Koxixos.
(A pomposa Catedral)
(O Largo da Catedral)
(O Museu)
(A Orla de longe...) 
(Já caminhando nela)
(Na volta, uma parada para foto clássica e um justo descanso)

Já à noite saímos para bater papo, conhecer o namorado da Lissandra e colocar a conversa em dia. Os anfitriões escolheram o bar Botequim.
(Escondidinho de camarão acompanhando cerveja e água com gás)

Nosso primeiro contato com a chuva foi no feriado do dia 15 de novembro, então ficamos explorando a cidade de carro, foi um verdadeiro tour pela cidade: conhecemos Lagoa da Conceição; Barra da Lagoa; as praias Mole, Joaquina e Campeche; Ribeirão da Ilha; Tapeba; Sambaqui; Santo Antônio de Lisboa e Jurerê.
(Barra da Lagoa - pena que o tempo não ajudou muito)
(Joaquina)
(Deve ser chato morar ali)
(Igreja Nossa Senhora das Necessidades)
(Deixar a câmera na mão da Eiko dá nisso, a cachorrada de Santo Antônio de Lisboa) 
(Mole, mole...)

A parada para o almoço foi no Rancho Açoriano, que fica no bairro Ribeirão da Ilha. O restaurante possui um deck de frente para o mar, de onde se pode ver o criadouro de ostras que serão servidas nos pratos.
(O quarteto no Rancho Açoriano - não é só a comida que é boa, o ambiente, a localização e o atendimento também são)

Santa Catarina é responsável por 95% da produção de ostras no Brasil e Florianópolis detém 67% da produção no Estado, ou seja, é quase um crime ir lá e não experimentar umazinha sequer, seja ela ao natural, à milanesa, ao bafo ou gratinada. Se você não gostar do molusco releve as seguintes informações: Cada 100g de ostras contém em média: 79,6g de potássio; 3,6g de gordura; 5,1g de carboidratos; 40mg de cálcio; 140mg de fósforo; 8mg de ferro; 2,7mg de vitaminas A,B,C e D e 5mg de carbono. As mesmas 100g fornecem 93 calorias.
(É daqui que saem as ostras para os nossos pratos)

Pedimos de entrada ostras gratinadas e o prato principal filé de linguado com alcaparras. Tudo muito bom, principalmente a entrada.

Saímos do restaurante e fomos em direção a Santo Antônio de Lisboa, mais precisamente para tomar café da tarde na Spaghetteria – Caffe Santo Antônio, Eiko pediu torta de maçã com sorvete de gengibre, eu fiquei somente no café expresso. Do próprio Caffe tem-se acesso à loja de artesanato - um dos folclores da ilha é a bernúncia, figura fantasmagórica que teria sido inspirada no dragão chinês. Durante a apresentação, a bernúncia investe sobre o público engolindo crianças e dando à luz.

(As bernúncias)

Depois desse dia cheio de atividades, restou-nos apenas descansar.

Campeche fica localizada no sul da Ilha (distante 23 km do centro), pode-se chegar facilmente de ônibus, a partir dos terminais de integração. A praia do Campeche fica entre a da Joaquina e o Morro das Pedras. São quase 4 km de areia branca, dunas e restingas. Mesmo com todos esses atrativos a gente queria mesmo conhecer a Ilha do Campeche.

Este lugar paradisíaco fica na costa leste, ao sul. Formada por costões e morros recobertos da Mata Atlântica, o mar cristalino varia entre as cores verdes e turquesa. Além da beleza, o lugar foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no ano de 2000, como Patrimônio Arqueológico e Paisagístico Nacional, por possuir mais inscrições rupestres que o estado inteiro de Santa Catarina. Dentre os sinais deixados pelos povos antigos estão variados símbolos geométricos, flechas, zoomorfos e antropomorfos.
 
 
 
 

Para se chegar à Ilha do Campeche necessariamente o mar tem de estar calmo, pois não há ancoradouro na ilha (as pessoas descem das embarcações com água na altura da cintura), há limite de 400 pessoas por dia, ou seja, se você for na alta temporada, acorde cedo. A compra do passeio de barco se faz na vila dos pescadores, mais precisamente na Associação dos Pescadores Artesanais de Armação do Sul, na praia da Armação, em Campeche, o passeio inclui somente a travessia, mas se você quiser pode incluir fazer uma trilha de aproximadamente 1h, por mais R$10,00 apenas, o acompanhamento de um guia é obrigatório.
(A compra do passeio é feito nesta casinha à esquerda) 
(Uma ideia do que se ver na trilha)


Para quem não está acostumado, a trilha é muito simples, sem obstáculo, nada cansativa, o único momento que se perde o fôlego é quando paramos para ver as paisagens e é pela trilha que vemos as inscrições rupestres. Mas, se você quiser ficar somente nos 400 metros de praia também pode – sempre sob o olhar de um guia.
(Início da trilha)
(Bem tranquila... Tio Chico fez sem se cansar!)
 
 
 

A orientação é levar água, frutas e um lanche porque o tempo de permanência permitido é 3 horas, mais 1 hora de travessia (ida e volta), e na ilha não tem comércio.
(Porque sashimi só para eles)

Após fazermos a trilha, ter belíssimas imagens registradas em nossas memórias e máquinas fotográficas, passamos o resto do passeio na praia desfrutando da praia quase deserta.
 
 
 
(Nesta ilha me senti um pouco dono do pedaço...)
(... mas na verdade, o pedaço pertence a elas)

Voltamos cedo para o centro, então resolvemos conhecer o famoso Box 32 do mercado municipal. Sempre falaram maravilhas do lugar, do chope aos pasteis (disso eu gosto), mas o preço afugenta qualquer um que não goste de esbanjar. E eu sou um destes, o pastel mais barato sai por R$7,50 e o de bacalhau por R$20,00, se o pastel fosse do tamanho do de feira até vai; já o chope sai por R$7,00. Claro que não fomos obrigados a consumir, vai quem quer, mas que é caro é. Se você for um desses que gostam de conhecer lugares famosos vale a dica, mas não se assuste com a conta.

À noite, já era tarde, fomos procurar algo para comer, mas a maioria das cozinhas já estavam fechadas. Entretanto, somos persistentes e de tanto andar descobrimos a confeitaria Chuvisco, que ainda estava servindo prato pronto, foi lá que jantamos e nos perdemos nos doces e sorvetes - para quem gosta de doces é parada obrigatória.


Enquanto os amigos terminam de ver a primeira parte de Florianópolis, vou começar a preparar a segunda.